Geoinstitutos
Entrevista
 
 

ENTREVISTA AL DIRECTOR DEL SERVICIO GEOGRÁFICO DEL EJÉRCITO BRASILEIRO
GENERAL BRIGADA PEDRO RONALT VIEIRA
(BRASILEÑO)


General Brigada Pedro Ronalt Vieira

Que projetos estão sendo desenvolvidos atualmente na Diretoria de Serviço Geográfico??

Os projetos em desenvolvimento estão relacionados à nossa missão. Cartografia sempre foi tema estratégico, tanto é que os mapas do Brasil, desde o seu descobrimento, eram propriedade da Coroa Portuguesa, porque por intermédio deles é que se conhecia as localizações das principais cidades e riquezas e também os caminhos de ida e volta.

Logo após a Proclamação da República foi criado o Serviço Geográfico do Exército para tratar de tão importante assunto para a Defesa Nacional. Completaremos em 2010 120 anos de existência dentro do Exército.

Há hoje, no Serviço Geográfico do Exército, três tipos de projetos: os relacionados ao ensino do pessoal técnico, os relacionados à metodologia de produção digital e os projetos de produção cartográfica e de medição.

Cabe destacar também que a Lei que regula a cartografia nacional atribui ao Serviço Geográfico do Exército, com exclusividade, a responsabilidade pela normatização da cartografia das escala 1:250.000 e maiores, todas.

A responsabilidade por mapear é compartilhada com outras instituições, porque o Brasil tem 8,5 milhões de km2 . São mais de 63 mil cartas nas escalas de 1:25.000 a 1:250.000. Não é uma tarefa fácil.

Os projetos relacionados ao ensino do pessoal técnico são:

  • Curso de Cartografia e de Sistemas de Informações Geográficas;

  • Curso de Fotogrametria e de Sensoriamento Remoto; e

  • Treinamentos e estágios para unificação da metodologia de produção cartográfica.

Os projetos relacionados à metodologia de produção digital são:

  • Desenvolvimento e implementação da Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais;

  • Desenvolvimento do Sistema de Informações Geográficas do Exército. Denominados SIG-Web e SIG-Desktop, compõem o módulo das informações geográficas do Sistema de Comando e Controle do Exército; e

  • Modelagem de Dados Geográficos de Zoneamento Ecológico-Econômico para Unidades da Federação.

Os projetos de produção cartográfica e de medição são:

  • Projeto Radiografia da Amazônia. Este projeto é gigantesco, porque tudo na Amazônia é difícil. Vamos gastar cinqüenta milhões de dólares para mapear 1,8 milhão de km2 na escala de 1:50.000. São 3.000 folhas nas escalas de 1:100.000 e 1:50.000. Tudo digital com o uso de alta tecnologia. Além da cartografia vamos realizar o censo estatístico vegetal de toda a área mapeada, um produto que não existe nesta escala de grandeza e de detalhe. Saberemos a quantidade de cada espécime arbóreo de grande porte por tipo de floresta, bem como a quantidade total.

  • Projeto de atualização de 1223 cartas 1:100.000 da Amazônia Legal com imagens de satélite para o Ministério do Meio Ambiente

  • Demarcação de áreas patrimoniais da União e outras relevantes para o País. Temos demarcado todos os anos terras para o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Agora estamos também trabalhando na demarcação e sinalização de Unidades de Conservação na área de influência da rodovia que liga Porto Velho à Manaus.

São Florestas, Reservas Extrativistas, Reservas Biológicas, Reservas de Desenvolvimento Sustentável e Estações Ecológicas somando o total de doze milhões de hectares e mais de dez mil quilômetros em linhas de demarcação.

Tem previsão de realizar a curto prazo algum projeto de Infraestrutura de Dados Espaciais?

Sim. No Brasil, já estamos em fase inicial de implantação da Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais do Brasil (INDE-Brasil). O Serviço Geográfico do Exército Brasileiro é o responsável pela elaboração das Normas Técnicas do mapeamento nas escalas acima de 1:250.000. Em função disto, várias especificações técnicas já foram construídas pelo Exército Brasileiro e outras estão em fase de finalização, todas baseadas no padrão ISO da série 19.000 (Spatial Data). Posso citar algumas destas especificações:

  • Especificação Técnica para Estrutura de Dados Geoespaciais Vetoriais. As categorias de informação modeladas para o Brasil são treze categorias: Hidrografia, Relevo, Vegetação, Sistemas de Transportes, Energia e Comunicações, Limites, Localidades, Educação e Cultura, Saúde e Serviço Social, Estrutura Econômica, Administração Pública, Abastecimento de Água e Saneamento Básico e Pontos de Referência; Estas categorias são divididas em 238 classes, com 1209 atributos totais.

  • Especificação Técnica para os Produtos Cartográficos de Dados Geoespaciais;

  • Especificação Técnica de Qualidade dos Produtos Cartográficos de Dados Geoespaciais;

  • Especificação Técnica para a Aquisição de Dados Geoespaciais Vetoriais;

  • Especificação Técnica para a Representação de Dados Geoespaciais Vetoriais;

  • Especificação Técnica para Estruturação de Metadados de Dados Geopaciais.

A INDE-Brasil será lançada em março de 2010. No corrente ano foi elaborado o Plano de Ação da INDE, que estabelece diretrizes para o planejamento, execução, implantação e manutenção da nossa Infreaestrutura Nacional de Dados Geoespaciais.


O Instituto assinou algum acordo com outros Institutos da América Latina?

Sim.

Há um acordo com os países da Bacia do Prata (Cuenca Del Plata) para criação de um Sistema de Informações Geográficos da Bacia do Prata, que disponibiliza informações geoespaciais relativas aos temas de Hidrografia, Relevo, Vegetação, Sistemas de Transportes, Energia e Comunicações, Limites, Localidades, Estrutura Econômica.

No Brasil há uma relação institucional com o Instituto Agustín Codazzi – IGAC, da Colômbia, onde todo ano são oferecidas vagas para os cursos técnicos deste Instituto. No corrente ano, foram 3 oficiais do Exército Brasileiro fazer o Curso de Insfraestrutura de Datos Espaciales (IDE), do IGAC. Estamos agora buscando novos acordos de cooperação internacional.


E com o Instituto Geográfico Espanhol?

No momento não, mas consideramos importantíssima e temos grande interesse e satisfação em realizar acordos com o Instituto Geográfico Espanhol - IGN, em decorrência das altas qualificações e capacitações técnicas que o referido Instituto possui, que serão muito úteis para o Serviço Geográfico Brasileiro.


General Brigada Pedro Ronalt Vieira

Qual sua opinião sobre as plataformas de ensino por Internet. Acredita que esta opção pode ajudar os Institutos Geográficos, no sentido dos seus colaboradores tenham uma formação de qualidade de uma maneira mais econômica e com mais sustentabilidade?

Claro que sim. O Exército Brasileiro já aplica a técnica de ensino a distância para temas conceituais, onde não há a necessidade de execução prática de treinamento.

O capital intelectual é o principal capital das instituições. Na dinâmica acelerada em que vivemos tudo fica obsoleto muito rapidamente. As pessoas hoje já trabalham somente pela internet. O ensino pela internet é uma das técnicas que alcançará públicos cada vez maiores a custos mais baixos.


O que lhe parece a iniciativa do Geoinstitutos? Poderia dizer umas palavras de motivação aos Institutos Geográficos para fazer uso do Geoinstitutos.com?

Achamos excelente iniciativa do Geoinstitutos.com de integrar os institutos geográficos e cartográficos da América Latina, Espanha e Portugal por meio da internet. Tal iniciativa propiciará, além do intercâmbio de informação profissional, técnica e científica entre os países, a unificação de metodologias e estruturas de dados, representando um enorme avanço no uso de geoinformações digitais, bem como nas relações institucionais entre os países de origem latina.

Vocês estão no caminho certo. Continuem em frente.


 
 
  
 
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  

 

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